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Análise diaria mercado agricola milho soja açucar

Publicado em 30/11/2020 Editoria: AgroNews Comente!


CORN - MILHO 
 

Os preços internacionais do milho futuro, que abriram o dia levemente mais altos, perderam força ao longo do dia e encerrou a segunda-feira desvalorizado na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram movimentações negativas entre 5,75 e 7,75 pontos ao final do dia.

O vencimento dezembro/20 foi cotado à US$ 4,19 com perda de 5,75 pontos, março/21 valeu US$ 4,26 com baixa de 7,75 pontos, o maio/21 foi negociado por US$ 4,29 com desvalorização de 7,75 pontos e o julho/21 teve valor de US$ 4,29 com queda de 7,50 pontos.

miho  
       
  B3 (Bolsa)    
jan/21 78,2 0,17%  
mar/21 78,1 0,13%  
mai/21 74,55 0,20%  
jul/21 68,8 0,36%  
Última atualização: 17:56 (30/11)  
   

Esses índices representaram perdas, com relação ao fechamento da última sexta-feira, de 1,41% para o dezembro/20, de 1,39% para o março/21, de 1,61% para o maio/21 e de 1,83% para o julho/21.

Já nas movimentações durante o mês de novembro, o milho em Chicago acumulou valorização de 5,28% para o dezembro/20, de 5,71% para o março/21, de 5,67% para o maio/21 e de 5,41% para o julho/21 na comparação com o fechamento do dia 30 de outubro.

Segundo informações da Agência Reuters, os futuros do milho caíram com as boas chuvas caindo em partes das áreas de cultivo no Brasil e na Argentina.

“A preocupação com o tempo seco na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina, tem favorecido a soja e o milho na semana passada e agora estamos vendo chuvas em partes desses países”, disse Matt Ammermann, gerente de risco de commodities da StoneX.

“Quando você está em um mercado meteorológico e de repente o clima muda, você obtém uma reação. Além disso, há alguma liquidação só porque é o fim do mês e alguns dos fundos estão registrando alguns lucros”, disse Jack Scoville, vice-presidente do Price Futures Group em Chicago.

A Bloomberg informou que a China pode comprar 30 milhões de tons de milho dos EUA no próximo ano depois que sua estatal Cofco vendeu 10 milhões de tons no mercado interno.

Os preços futuros do milho foram muito voláteis durante esta segunda-feira na Bolsa Brasileira (B3), oscilando entre altas e baixas. As principais cotações registravam movimentações entre 0,40% negativo e 0,46% por volta das 17h07 (horário de Brasília).

O vencimento janeiro/21 era cotado à R$ 78,43 com valorização de 0,46%, o março/21 valia R$ 78,30 com elevação de 0,38%, o maio/21 era negociado por R$ 74,40 com perda de 0,40% e o julho/21 tinha valor de R$ 68,78 com ganho de 0,34%.

INDICADOR DO MILHO ESALQ/BM&FBOVESPA (Mercado)
  VALOR R$ VAR./DIA VAR./MÊS VALOR US$
30/11/2020 78,31 -1,21% -4,37% 14,63
27/11/2020 79,27 -0,05% -3,20% 14,88
26/11/2020 79,31 -0,58% -3,15% 14,88
25/11/2020 79,77 0,13% -2,59% 15
24/11/2020 79,67 -0,49% -2,71% 14,8
         

O preço do milho no Brasil deve seguir alto nessa reta final de 2020 e durante o próximo ano, pelo menos até o segundo semestre, conforme analisa o Rabobank. A demanda aquecida, bons índices de exportação e o câmbio desvalorizando o real ante ao dólar são os principais pontos para dar essa sustentação.

Segundo o analista de grãos do Rabobank, Victor Ikeda, somente um câmbio mais baixo seria capaz de modificar este cenário, mas que, no momento, nada sinaliza esta tendência. Inclusive, o real valendo menos do que o dólar deve ser fundamental para a manutenção da competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional.

A segunda-feira (30) chega ao final com os preços do milho pouco modificados no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, foram percebidas valorizações apenas em Amambaí/MS (1,43% e preço de R$ 71,00) e São Gabriel do Oeste/MS (1,49% e preço de R$ 68,00).

Já as desvalorizações apareceram nas praças de Cândido Mota/SP (0,43% e preço de R$ 70,20), Palma Sola/SC (1,35% e preço de R$ 73,00) e Dourados/MS (1,49% e preço de R$ 68,00).

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, “a disponibilidade de milho tem crescido gradativamente nos últimos dias. Mesmo assim, com o alojamento de aves e suínos em recuo, boa parte dos compradores está mais ausente, negociando em valores abaixo”.

Ainda nesta segunda-feira, o Cepea divulgou sua nota semanal apontando que os preços do milho tiveram ligeiras baixas em muitas regiões acompanhadas nos últimos dias.

“Entre 20 e 27 de novembro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (região de Campinas-SP) recuou 1,17%, fechando a R$ 79,27/saca de 60 kg na última sexta-feira. Em novembro (até o dia 27), a baixa acumulada foi de 3,2%”.

miho  
       
Chicago (CME)  
CONTRATO US$/bu VAR  
DEC 2020 419,75 -5,75  
mar/21 426 -7,75  
MAY 2021 429 -7,75  
jul/21 429,75 -7,5  
Última atualização: 17:02 (30/11)  
       

Pesquisadores do Cepea afirmam que a desvalorização do dólar frente ao real e o menor interesse externo têm pressionado os valores nos portos e, consequentemente, no interior do Brasil. “Nesse cenário, o ritmo de negociação está lento”, afirma a nota.

De acordo com a AgRural, 94% da área de milho verão estava plantada até a última quinta-feira (26), contra 91% uma semana antes. A consultoria deve, em dezembro, reduzir novamente sua estimativa de produção que já foi estimada pela AgRural em 20,7 milhões de toneladas em novembro, contra 21,9 milhões em outubro e 19,7 milhões de toneladas na safra 2019/20.

Os preços do milho no mercado brasileiro deverão continuar elevados para o primeiro semestre de 2021, de acordo com a Consultoria TF Agroeconômica. Apesar dessa projeção, a equipe de analistas recomenda fixar agora o valor, prestando mais atenção no lucro atual do que numa possível elevação das cotações.

“Nossa recomendação, portanto, é que os participantes do mercado físico, que precisam vender milho para a safra de verão, fixem preço na [Bolsa] B3 nos níveis atuais, sem arrependimentos futuros, porque os lucros são ótimos. Como sempre dizemos, não corra atrás de preços, mas de lucros; muita gente já perdeu grandes lucros por correr atrás de preço”, afirmam os especialistas.

De acordo com a TF, o fator principal de alta dos preços do milho no Brasil são as perspectivas de forte seca no Oeste do País, que atinge as lavouras no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Oeste do Paraná. Essas previsões fizeram as estimativas de produção brasileira recuar de 116 milhões de toneladas para 112 milhões de toneladas, segundo a média das consultorias privadas, enquanto o último relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) menciona 110 milhões de toneladas.

“Esta redução de quatro milhões de toneladas está mantendo firmes os preços de maio até agosto, no mercado futuro da B3, de São Paulo, porque se espera a continuação da forte demanda de exportação e uma redução na oferta brasileira. A continuação dos preços elevados vai depender das condições de desenvolvimento da Safrinha de 2021. De qualquer maneira, os preços atuais da B3 para março de 2021, ao redor de R$ 78,68, contém um lucro limpo, após pagas todas as despesas, ao redor de 96,7% (já foi de 116%)”, ressalta a equipe de analistas da TF Agroeconômica.


SUGAR - AÇUCAR
 

Mar NY world sugar 11 (SBH21) on Monday closed down -0.31 (-2.09%), and Mar London white sugar 5 (SWH21) closed down -5.90 (-1.46%).

Sugar prices on Monday sold off to 3-week lows on a slide in crude oil prices along with weakness in the Brazilian real against the dollar. Crude prices on Monday fell more than 1%, which undercuts ethanol prices and may prompt Brazil&39;s sugar mills to divert more cane crushing toward sugar production rather than ethanol production, thus boosting sugar supplies. Also, the Brazilian real on Monday fell -0.32% to a 4-session low against the dollar, which encourages export selling Brazil&39;s sugar producers.

INDICADOR DO AÇÚCAR CRISTAL ESALQ/BVMF - SANTOS  
  VALOR R$ VAR./DIA VAR./MÊS VALOR US$    
30/11/2020 110,79 0,82% 10,12% 20,7    
27/11/2020 109,89 0,28% 9,22% 20,62    
26/11/2020 109,58 0,14% 8,92% 20,56    
25/11/2020 109,43 0,43% 8,77% 20,58    
24/11/2020 108,96 0,26% 8,30% 20,23    
Nota: Reais por saca de 50 kg, com ICMS (7%) .        
  media R$ 109,73        
  valor saco $ 20,51        
  valor ton $ 410,21  porto santos - FAS - icmusa 130 - 180  
                          com 7% icms    
             

Sugar prices were already on the defensive after Unica reported last Wednesday that Brazil&39;s Center-South sugar production in the first half of November rose +57 y/y to 1.242 MMT, above expectations of 1.120 MMT. The percentage of cane used for sugar rose to 41.74% in 2020/21 28.42% in 2019/20.

Another negative factor for sugar is the outlook for more sugar supplies India. Meir Commodities India Pvt last Tuesday projected that India would export 1.5-2.0 MMT of sugar in 2020/21 without any government subsidy since neighboring countries can be expected to purchase Indian sugar rather than Brazilian sugar because of cheaper freight costs.

Sugar mills in India have held back exports as they await news on government subsidies. The World Trade Organization (WTO) is expected to rule on the legality of India&39;s subsidies to its sugar exporters sometime this month after Brazil and Australia raised objections to the WTO about the subsidies. The ruling by the WTO has been delayed July due to the Covid pandemic.

Sugar prices had trended higher over the past seven weeks up to a 9-1/4 month high Nov 17 on concern that Brazil&39;s dry conditions may curb sugarcane yields and reduce Brazil&39;s sugar production. Irregular rain in Brazil&39;s sugar-growing areas is keeping soil moisture levels below normal. Maxar recently said that Brazil&39;s sugar-growing regions had received only 5%-25% of average rain in the past few months, leaving crops "extremely dry." Also, a La Nina weather pattern could lead to prolonged excessive dryness in Brazil that cuts sugarcane yields.

Sugar prices also have support after Hurricane Iota slammed into Central America on Nov 16, bringing heavy rains and damage to sugar crops and infrastructure in Nicaragua, Honduras, and Guatemala.

A negative for sugar prices was the Nov 19 forecast the USDA&39;s Foreign Agricultural Service (FAS) that India&39;s 2020/21 sugar production will climb +16.8 % y/y to 33.76 MMT and that India&39;s sugar exports will climb +3.5% to 6.0 MMT.

In a bullish factor, ISO on Nov 17 cut its global 2020/21 sugar production estimate and increased its global 2020/21 sugar deficit estimate. ISO projects that global 2020/21 sugar production will increase by +0.9% y/y to 171.1 MMT. ISO also said the global 2020/21 sugar market would fall into deficit by -3.5 MT a +1.86 MMT surplus in 2019/20.

In another bullish factor, France&39;s Agricultural Ministry on Nov 16 cut its 2020 French sugar-beet production estimate to a 19-year low of 27.2 MMT an Oct estimate of 30.5 MMT due to drought. France is the largest sugar producer in the European Union.

Sugar prices are also seeing support the smaller sugar crop in Thailand, the world&39;s second-biggest sugar exporter, which has been decimated by drought. The Thailand Sugar Mills Corp said Oct 2 that Thailand&39;s 2020/21 sugar production would fall -13% y/y to an 11-year low of 7.2 MMT as dry weather this year ravaged cane plantations.


SOYBEAN - SOJA

Nesta segunda-feira (30), os futuros da soja fecharam o dia com perdas de mais de 20 pontos nos principais contratos negociados na Bolsa de Chicago. O janeiro encerrou o dia sendo cotado a US$ 11,68 e o março a US$ 11,69 por bushel. As perdas variaram entre 19,50 e 23,25 pontos. 

SOJA - CME - CHICAGO  
CONTRATO US$/bu Variação (cts/US$) Variação (%)  
jan/21 11,685 -23,25 -1,95  
mar/21 11,695 -23,25 -1,95  
mai/21 11,6775 -23,25 -1,95  
jul/21 11,6475 -22 -1,85  
Última atualização: 17:00 (30/11)    
         

"O mercado realizou lucros. Mas nada de muito sério, apenas um movimento normal do mercado. Não sou muito negativo para Chicago, podemos ter mais um ou dois dias de baixas em Chicago, mas sem muita intensidade", explica Ênio Fernandes, consultor em agronegócios da Terra Agronegócios. 

E essa realização de lucros vem, ainda segundo o especialista, frente às melhores chuvas sendo registradas nas principais regiões produtoras da América do Sul, com melhoras expressivas no Rio Grande do Sul e na Argentina após meses de tempo muito seco. 

No entanto, ainda como explica Fernandes, "a demanda está dada e a oferta ainda é incerta", quadro que mantém os preços ainda em um cenário de suporte. A China já fez compras intensas e robustas, ainda precisa fazer compras de 2,5 a 3 milhões de toneladas nos EUA até fevereiro, mas sem precisar ser tão voraz como foi nos últimos meses para estar bem abastecida. 

"A limitação de queda vai se dar porque as origens não vão vender, porque elas seguem muito temerária sobre a produtividade que irão ter", diz Fernandes. "Vamos tentar a resistência dos US$ 12,00, podemos chegar aos US$ 12,30 e depois disso vai depender muito do clima aqui no Brasil e na Argentina". Para o consultor, esse movimento poderia acontecer ainda em 2020. 

Além das questões climáticas, relações mais desalinhadas entre China e Estados Unidos também pesam sobre as cotações em Chicago. Desde a última semana, uma série de notícias vem mostrando novas e acirradas tensões entre

Pequim e Washigton, o que acaba servindo de combustível para os movimentos de realização de lucros da oleaginosa na CBOT.

A soja para entrega em janeiro abriu para negociação na segunda-feira a US$ 11,86/bu,  antes de atingir uma alta a US$ 11,90/bu, onde fecharam nesta sexta-feira. Isso representa 5 c/bu ou cerca de 0,5% abaixo em relação a sexta-feira, uma forte demonstração baseada na escassez de oferta e condições adversas de crescimento na América do Sul.

  soja US$ 5,35  
         
  B3 (Bolsa)      
CONTRATO US$/sc R$/sc VAR  
nov/20 25,87 138,4045 -1,82%  
  sem negocição hoje  
Última atualização: 16:07 (30/11)  
         

Em termos de exportações nos EUA, as vendas caíram para o nível mais baixo em um ano–inesperado dado o ritmo recorde em que a China vem comprando soja dos EUA e o volume de vendas já comprometido. As vendas chegaram a 768 mil tons na semana passada, quando compradores chineses mudaram o foco para a safra brasileira que deve desembarcar nos portos a partir de fevereiro.

Em janeiro, o mercado nacional deverá observar, mais uma vez, uma disputa acirrada entre demanda interna e para exportação, já que há compromissos firmados para janeiro, e, com o atraso do plantio e, se atrasará, consequentemente, a chegada da nova oferta brasileira.

A condição pode impactar não só em preços mais altos para no mercado brasileiro, mas também em Chicago, estando o Brasil na posição de maior produtor e exportador mundial da oleaginosa e com mais de 50% da safra 2020/21 já comercializada.  

E o percentual de mais de 50%, ainda como explica Fernandes, se dava sobre uma safra estimada na casa dos 135 milhões de toneladas. Todavia, a Terra Agronegócios trouxe sua estimativa revisada nesta segunda para 131,478 milhões. Deverá haver perdas de produtividade em estados determinantes para a produção nacional, como Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul devido ao clima seco e das chuvas que tardaram a chegar nesta temporada. 

"Estes 4 milhões de toneladas farão falta. A China deverá importar 100 milhões de toneladas, algo acima disso, e com esses números confirmados o Brasil deveria exportar entre 84 e 85 milhões de toneladas. E para março do ano que vem ainda chegará o B13, elevando para 13% a mistura de biodiesel no diesel, ou seja, um amento também na demanda interna. Então, o cenário fica ainda mais cauteloso para os demandadores", explica o consultor. 

Outra informação importante é que a China está concentrando a sua demanda no segundo e terceiro trimestres de 2021 e no Brasil, com os preços em alta, segundo o que informou a TF Agroeconômica. “Na frente chinesa, as ofertas CFR foram amplas para os embarques do 2º trimestre e do 3º trimestre de safra nova brasileira nesta sexta-feira, mas as contra-ofertas foram em sua maioria ausentes”, comenta.

“As ofertas para abril de 2021 foram relatadas em 140 c/bu sobre os futuros de maio em uma base CFR China e as de maio foram ouvidas com um transporte de dois centavos para abril. As ofertas para abril e maio foram vistas pela última vez em 144 c/bu e 148 c/bu sobre os futuros de maio, respectivamente. O embarque de junho foi licitado em 151-153 c/bu sobre os futuros de julho e os juros de compra para julho foram indicados em 160 c/bu sobre os futuros de julho – cerca de 5-8 c/bu abaixo das ofertas até o fechamento de quinta-feira”, completa.

SOJA - PREMIO  
CONTRATO VALOR  
nov/20 250  
fev/21 105  
mar/21 65  
mai/21 60  
Última atualização: 30/11/2020  
     

Para os embarques do mês anterior, um grande triturador privado foi ouvido buscando mais embarques de dezembro na PNW na sexta-feira. “O indicador APM-6 CFR China de janeiro da opção mais barata foi avaliado em 215 c/bu em relação aos futuros de janeiro, o que equivale a US$ 516,25/t, acima de US$ 2,25/t em futuros mais altos. Na frente FOB, não houve negociações relatadas na América do Norte ou do Sul. E com os spreads de oferta de oferta, grandes prêmios permaneceram estáticos no dia, deixando os preços fixos $1/t mais altos ao longo da curva”, indica.

O avanço do semeio de soja na América do Sul pressionou os valores domésticos da oleaginosa na semana passada, de acordo com informações do Cepea. No Brasil, o semeio segue para a reta final, chegando a 79%, segundo dados divulgados pela Conab no dia 23 de novembro. Porém, o baixo índice pluviométrico preocupa sojicultores, que se ausentam de novas vendas. O Indicador CEPEA/ESALQ Paraná caiu 1,76% entre 20 e 27 de novembro, indo para R$ 161,1/sc de 60 kg. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa Paranaguá (PR) cedeu 0,8% no mesmo comparativo, indo para R$ 162,31/sc de 60 kg na sexta-feira.

O Brasil conquistou o posto de maior produtor mundial de soja e o farelo vem nessa onda. Segundo a consultoria StoneX a produção de farelo totalizou 124,35 milhões de toneladas até outubro e a projeção é encerrar 2020 com exportações de 82,5 milhões de toneladas. Ele é produzido a partir da moagem de flocos de soja descascada e desengordurada. O farelo obtido como um subproduto na extração do óleo é usado, principalmente, como ração animal, devido ao alto teor de proteína (43 – 48%). Embora o farelo seja considerado tecnicamente um subproduto, ele é a parte mais lucrativa da indústria de óleo de soja. O preço do farelo no mercado varia de acordo com o seu índice de proteína.

               
Preço soja referência (chicago ):$/MT 521,21   30/nov    
               
Preço Brasil - esalq - Paranaguá: $/MT 503,96   30/nov    
               
Preço Brasil - MI - Paranaguá: $/MT 529,60   30/nov    
PREÇO REFERÊNCIA FAS PARANAGUÁ NET.  Preço Brasil MI = R$ 165 por saca    
               

Sendo um produto de maior valor agregado é o nono mais vendido pelo Brasil. Em 2019 , segundo dados da ComexStat, o principal destino foi Países Baixos. A Holanda representou 16%. Em seguida vem a Tailândia, que representa cerca de 11%. Os maiores exportadores foram Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.

A partir de janeiro de 2021 a exportação de farelo de soja terá novas regras obrigatórias. Trata-se de um código da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre segurança no transporte de farelo de oleaginosas, como o farelo de soja, em cujo processo de extração de óleo tenham sido utilizado solventes. Todos devem passar por um teste de combustão antes do embarque para evitar incêndios.

As empresas que trabalham com inspeção destacam que é aconselhável realizar o teste  pois houve casos de farelos de sojas entrando na combustão por alto aquecimento. As empresas terão, portanto, que realizar os ensaios e testes necessários para atender as normas de segurança do IMSCB (International Maritime Solid Bulk Cargoes).  Para realizarem o teste e certificar de que o farelo não será classificado como perigoso, os produtores podem coletar amostras e enviar aos laboratórios ou receber representantes para coleta no local.

O presidente da Intertek Brasil, Hélio Simões, empresa voltada para este tipo de serviço, que tem laboratórios em 14 estados brasileiros, destaca que houve aumento na demanda pelos testes. "A agilidade da capilaridade de laboratórios é exatamente o que o produtor brasileiro de soja precisa neste momento já que estamos há menos de dois meses do vigor da norma", conclui.

Como poderão ser os preços da soja com diferentes níveis de Dólar no primeiro semestre de 2021? A resposta da Consultoria TF Agroeconômica é que já há alguns “fatos concretos até o momento” que indicam que a tendência é de que o Real se firme ao longo de 2021, e que a moeda norte-americana tenha seu valor reduzido em relação à brasileira.

“Uma das grandes discussões entre os especialistas de câmbio, consultados semanalmente pelo Banco Central no seu Relatório Focus, é sobre se o dólar vai chegar a R$ 5,00 ou abaixo dele, alguns falando em R$ 4,80. Isto significa que todos concordam que, durante o ano de 2021, ele terá uma trajetória de baixa, impulsionado pelos bons fundamentos que todos tem de uma perspectiva otimista para a economia brasileira neste período”, explicam os analistas.

Este otimismo, explicam eles, está intimamente ligado à alta das commodities, que deverá continuar firme no próximo ano, com a retomada da economia mundial: “O Barclays projeta que o dólar terminará 2020 em R$ 5,35 e fique em R$ 5,15 ao fim do primeiro trimestre de 2021, indo a R$ 5,05, R$ 5,15 e R$ 5,25 no fechamento dos demais trimestres, respectivamente. O CIBC vê inclusive a moeda norte-americana indo à faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 com aprovação da reforma administrativa e com aceleração da agenda de privatizações em 2021, em meio a um suporte por parte do Banco Central”. 

INDICADOR DA SOJA ESALQ/BM&FBOVESPA - PARANAGUÁ  
  VALOR R$ VAR./DIA VAR./MÊS VALOR US$  
30/11/2020 161,77 -0,33% -1,08% 30,22  
27/11/2020 162,31 0,66% -0,75% 30,46  
26/11/2020 161,24 -0,80% -1,41% 30,25  
25/11/2020 162,54 0,38% -0,61% 30,56  
24/11/2020 161,92 -0,64% -0,99% 30,07  
           

E o que poderia compensar esta queda do dólar? Segundo a TF, a elevação dos preços de Chicago: “Há alguns analistas que acreditam que US$ 12,00/bushel poderá ser um teto para as cotações, outros acreditam que poderá ser um nível de suporte (o nível mais baixo), porque poderá flutuar entre US$ 12,00 e US$ 15,00/bushel”. 

“É verdade que, de um lado, a demanda por soja e seus subprodutos é muito grande, com a China devendo atingir 100 milhões de toneladas de importação na atual temporada e a retomada da economia mundial manterá elevadas as cotações das commodities e, de outro, a seca que atinge o Brasil e a Argentina não deverão permitir a expansão inicialmente projetada da produção, assim como a produção americana também não será como a inicialmente prevista”, afirma a equipe de analistas.

A TF Agroeconômica ressalta que é a cotação do Dólar, portanto, que realmente poderá fazer a diferença. “Mais de 50% da safra 2020/21 já foi negociada a dólar entre R$ 5,35 e R$ 5,85, compensando níveis menores de Chicago. Sobre o que resta negociar, nossa recomendação é que se aproveite o dólar antes de cair”, concluem os especialistas.

 

 

 

 

 

› FONTE: Floripa News (www.floripanews.com.br)

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