Floripa News
Cota??o
Florian?polis
Twitter Facebook RSS

Pescadores reclamam que dragagem feita em 2012 e que custou R$ 300 mil à Prefeitura não desassoreou canal de acesso ao mar

Publicado em 11/08/2013 Editoria: Florianópolis Comente!


Pescadores pedem retirada de sedimentos acumulados na foz do Aririú

Pescadores pedem retirada de sedimentos acumulados na foz do Aririú

A semana começa com os pescadores da Barra do Aririú de olho na lua. Eles não sabem por que, mas aprenderam na prática que especialmente em agosto o alinhamento dela com a Terra e o sol significa longos períodos de maré baixa. “Fica torrada”, resume Plácido Pedro da Silva, o Pacinho, 48, que conta com ajuda do irmão Pedro Paulo, 49, para entrar ou sair da baía sul a bordo da baleeira “Emely”.

Mais do que a poluição por agrotóxicos e esgoto ou o lixo doméstico que bóia em trechos aparentemente mortos, é a falta de navegabilidade que mais aborrece quem depende do rio Aririú para chegar ao mar. A formação de bancos de areia e croas obstruem o canal de acesso à foz, e exigem mais paciência e força física e reduz a produção da pesca e extração de berbigão.

“Tem dias que ficamos mais de três horas à espera da preamar para sair ou voltar ao rancho”, diz Jader Espíndola, 39, que na quinta-feira foi o primeiro a aportar na beira do rio para desmalhar 260 quilos de sardinhas e palombetas, que pescou com os camaradas Marcelo Lourenço, 38, e Adir Lourenço da Silva, 58. “Temos que apressar e aproveitar que a maré está enchendo, para atravessar novamente o canal”, completa.

Os irmãos Lauri, 56, e Laurino Manoel Ramos, 62, e Gerson José Martins, 56, tripulantes de “Helena”, culpam a Prefeitura de Palhoça pelo assoreamento da foz. E lamentam o desperdício de dinheiro público.

“No ano passado, pagaram R$ 300 mil. A máquina veio, fez dois buracos no meio do rio, mas só piorou”, emenda Lauri. E aponta o prolongamento da croa Grande, banco de areia formado depois da dragagem e que obstrui o canal de acesso à baía sul em períodos de maré baixa. “Foi dinheiro jogado fora, um serviço muito mal feito”, completa o pescador. 

Canais também estão obstruídos

A dragagem de riachos e canais que atravessam o manguezal e  interligam os rios Cubatão e Aririú, também ajudaria no desassoreamento das fozes e da baía sul de Palhoça. “Não precisa ser engenheiro para saber disso. Se limpar estas valas, a força d’água vai desobstruir a boca da barra”, sugere Plácido Pedro da Silva.

O vereador Otávio Martins Filho, o Tavinho (PSD), que tem relação afetiva com o Aririú desde a infância, criticou o “serviço  inacabado”, feito em 2012, ainda na gestão de Ronério Heiderscheidt (PMDB). 

“A draga só fez buracos no canal, não resolveu nada”, reclama.

Na ocasião, a prefeitura pagou R$ 300 mil à empresa Três Golf.

O trabalho foi feito em duas etapas. A primeira não agradou aos pescadores, que, conforme acordo com prefeitura e empresa, demarcaram com varas de bambu o trajeto a ser dragado: da barra do rio até o morro do Tomé. A areia retirada do leito do rio seria usada para engordamento da faixa de areia da praia. Mas, esse serviço também nunca foi concluído.

Os pescadores lembram que a draga chegou à foz do Aririú no fim de novembro de 2011, e foram descarregados sob intenso foguetório e discursos otimistas. Empolgados, os pescadores serviram saborosa e farta peixada ao prefeito Ronério Heiderscheidt e comitiva. Só não contavam com indigestão tanto tempo depois.

Poluição e assoreamento antecipam fim da fartura

Outrora navegável e farto em tainhas, robalos e camarão, o Aririú atravessa loteamentos clandestinos e legalizados em cinco bairros de Palhoça. Na área urbana foi transformado em vala lamacenta poluída por esgoto doméstico.

O vice-presidente da Associação dos Pescadores da Barra do Aririú, Ricardo Martins, 43, garante que a solução está mais próxima do que parece. Ele se baseia em suposta licença ambiental concedida à empresa de mineração Cubatão, para exploração da jazida de areia no leito e na foz do Aririú. “Deve começar em 15 dias”, anuncia.

E tem o aval do chefe de produção da mineradora Cubatão, Luiz Martins, que supervisionou a instalação de trapiche de madeira ao na boca da barra, ao lado do rancho coletivo dos pescadores. A intenção é deslocar a draga e começar o trabalho depois de instalada a estrutura de apoio e porto para estocagem e transporte da areia por caminhões.

“Vamos fazer como os pescadores querem, de cima para baixo e abrir o canal já para esta safra de anchova”, diz Martins. Segundo ele, desta vez não haverá risco de nova obstrução, porque a máquina vai operar permanentemente no local. O material dragado será comercializado pela própria mineradora.

 

Irmãos Plácido e Pedro Paulo entram no rio Aririú após pescaria na baía

 

Secretário desconhece licenciamento

 Na prefeitura, o secretário de Obras de Palhoça, Reni  Antonio Schweitzer, no entanto, diz que não é bem assim. E descarta nova dragagem, pelo menos por enquanto. 

Até o fim do ano, segundo ele, é possível apenas que seja elaborado projeto, mais amplo, prevendo o desassoreamento periódico da foz. “Não pode ser feito de qualquer jeito. Se estão fazendo alguma coisa, é clandestino, sem meu conhecimento”, diz. Reni Schweitzer lembra que o projeto executivo depende de EIA-RIMA (Estudos e Relatório de Impactos Ambientais) e licenciamento da Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente).

“Um paliativo seria a limpeza das margens, a exemplo do que está sendo feito na maioria das valas e riachos”, completa. O secretário garante que praticamente todos os pequenos canais do Aririú já foram desobstruídos recentemente.

 

Comunidades ribeirinhas

Por onde passa o Aririú (da foz para cima)

Barra do Aririú

Vila Nova

Pachecos

Aririú

Aririú Formiga

Furadinho

Alto Aririú

 Nascente: Morro dos Quadros, no limite entre Palhoça e Santo Amaro.

Extensão: nove quilômetros

› FONTE: Notícias do Dia

Comentários