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O rei está nu

Publicado em 17/04/2018 Editoria: Artigos Comente!


Presidente Conselho Deliberativo do IASC, Ricardo José da Rosa / Foto: Divulgação IASC

Presidente Conselho Deliberativo do IASC, Ricardo José da Rosa / Foto: Divulgação IASC

Os mais novos talvez não conheçam, mas os mais antigos certamente lembrarão da fábula da Roupa Nova do Rei. Vou resumi-la: um rei vaidoso foi convencido por dois embusteiros, que se diziam alfaiates, a contratar a confecção de um traje tão maravilhoso que somente poderia ser visto por pessoas inteligentes.

Na verdade, nada teciam, apenas fingindo faze-lo. Curioso, o rei mandava que seus ministros fossem verificar como estava a elaboração do traje. É claro que nada viam mas, para não demonstrar a falta de inteligência, que poderia torna-los inaptos para suas funções, diziam que a roupa estava ficando maravilhosa. Concluída a obra dos “alfaiates” o rei foi vestir sua roupa nova e desfilou para que os súditos também pudessem admirá-la. Também ele não quis ser visto como pouco inteligente, elogiou a confecção e saiu a desfilar no meio do povo, que aplaudia e elogiava o tecido que o cobria, ninguém queria expor a falta de inteligência.

Uma criança, porém, gritou: “O rei está nu”, arrancando murmúrios e risos entre os presentes. Envergonhado, o rei voltou ao palácio e não mais encontrou os embusteiros. Atualizando a fábula, diríamos, então, que somente os probos poderão ver a roupa do rei e aguardaríamos uma criança para gritar sobre a nudez de muitos de nossos governantes. Mas... e nós, o povo? Apontamos para os governantes e não vemos nossa própria nudez.

Em recente palestra ouvi uma citação de Leandro Karnal, afirmando que não há governos corruptos com um povo honesto. Não haverá solução que não comece por nós, em coisas que nos parecem sem gravidade, mas que comprometem o sentido da probidade: o estacionamento em local proibido, em locais reservados aos idosos e deficientes, a compra de produtos piratas, a ultrapassagem proibida no trânsito, a direção após a ingestão de bebidas alcoólicas. O Brasil só terá solução se a mudança começar por nós, seu povo. Não adianta só apontar para a nudez do rei. Nós, estamos vestidos?

Por Ricardo José da Rosa - Presidente Conselho Deliberativo Instituto de Advogados de Santa Catarina (IASC)

 

 

› FONTE: Floripa News (www.floripanews.com.br)

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