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Raspas e Restos - Por Francisco Alpendre

Raspas e Restos Por Francisco Alpendre

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Como (não) ficar rico em Florianópolis

Publicado em 26/12/2013 Comente!

Foto divulgação

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Reuniões “de negócios” (as aspas serão auto-explicadas muito em breve) em Florianópolis possuem uma grande peculiaridade e um roteiro a ser seguido. Elas começam sempre com um café na Chuvisco. Nela, planos mirabolantes são traçados – onde todos terão condições absurdas de ficarem ricos, do dia pra noite. Evidente, nenhuma dessas conversas pode começar com os cifrões nos milhares de reais – isso gerará desinteresse imediato. Milhão é o caminho a ser seguido desde o início. Como isso irá acontecer é um detalhe: planejamento, análise de risco e variáveis de projetos são coisas de alemães. Essas conversas duram cerca de uma hora. Café preto com água sem gás e um eventual doce para os mais esganados são imprescindíveis.

Depois do primeiro café na Chuvisco, um intervalo de uma semana é necessário. 60% dos “negócios” acabam por ali. Se você faz parte dos “sortudos” 40% restantes, será convidado para um segundo café, na mesma Chuvisco. Os milhões de reais já parecem mais incríveis – o que antes era abstrato agora já ganha ares de coisa séria. Nomes são citados. Tentativas de mostrar-se íntimo de supostos trendsetters do mainstream do beautiful people ilhéu idem. Enfim: a segunda Chuvisco já é um grande “happening”.

Mais sete dias e se ninguém arranjou nada melhor pra fazer nesse meio tempo estamos prestes a entrar no Olimpo dos negócios de Florianópolis: o almoço na Lindacap. Normalmente esses almoços são realizados às sextas-feiras onde, se você tiver sorte, terá a mesa ao lado repleta de advogados membros de alguma chapa da OAB. As conversas, tanto na sua mesa quanto nas do lado serão óbvias: que determinado advogado criminalista está comprando um helicóptero. As intimidades com determinado Desembargador (com D maiúsculo, ele merece). E, óbvio, os grandes negócios a serem fechados. Na sua mesa, o “negócio” já está tão avançado que está tratando da marca do carro a ser comprado. X6é o preferido. Ao final dos pratos (marreco e paella), detalhes da repartição do butim. Como chegar lá AINDA é um detalhe.

Transcorridos mais quinze dias, chegamos ao momento do êxtase puro: o almoço na Toca da Garoupa. Ali todos já se encontram virtualmente ricos e começam a gastar por conta. Os mais incautos já compraram aquele aparelho de DVD para o carro que será trocado em breve. No almoço, não há economia: da lagosta ao escargot, passando pelo espumante Mumm, tudo é permitido. Em linhas gerais, o business já está pronto – todos os caminhos dentro de determinado órgão estatal estão traçados (sim, porque esses grandes negócios sempre carregam uma pequena pecha de corrupção, acerto e compadrio), faltando, ÓBVIO, apenas uma pequena assinatura, do chefe maior – Prefeito, Governador, Secretário, a “Dilma”, só muda o personagem. Se for negócio privado, já está tudo acertado com o (coloque o nome do grande empresário catarinense de sua preferência).  Mas isso é coisa pra semana que vem. Na prática, está tudo fechado.

Os comensais saem dali com sorriso de orelha a orelha. Quantos sonhos a serem realizados. Quantas mulheres deitarão na cama daquele barco, que navegará nas águas do Tinguá, sem escalas. Neste ínterim, trabalhar não é mais necessário. Todos ficarão inevitavelmente ricos.

15, 30 dias passam. O fone não toca. Arrisca-se um e-mail. Sem retorno. 60 dias depois, na Chuvisco do shopping Iguatemi, encontram-se dois dos novos ricos da cidade.

“E aí, deu tudo certo?”

“Cara, o Governador não assinou. Tá sem verba. Mas pro semestre que vem ta tranquilo. Tenho que te apresentar outra parada, mas essa aqui é na casa do bilhão. Ouve só….”.

Bem vindo a Jurerê Internacional.Você conseguiu.

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